Todos os anos a Revista ‘‘Fortune'' publica a lista dos homens mais ricos do mundo. Fui olhar o nome dos sortudos, mas não encontrei o meu nome. Mas eu insisto em afirmar que sou rico. E tenho motivos para mostrar a você que não estou mentindo.
Recebi o dom da vida sem mérito nenhum numa época difícil da história da humanidade: fim da Segunda Guerra Mundial! Mesmo assim, Deus quis que num ato de amor entre meu pai e minha mãe eu pudesse chegar a este mundo.
Depois de seis dias de nascido fui batizado e recebi o dom da graça divina que até hoje orienta a minha vida. A confiança em Deus sempre foi uma luz que acompanhou os meus passos: hoje não posso imaginar a minha existência sem os horizontes da fé, sem a esperança que aponta para o alto e sem o dom da caridade, o maior mandamento que Jesus trouxe à nossa terra. Eu sou rico mesmo: além da beleza da vida humana e da vida divina dos filhos de Deus, Ele quis me presentear com outro dom extraordinário que não me pertence, mas é a razão do meu viver: o dom do sacerdócio! No dia da Festa de São Pedro completo 44 anos de padre e 21 de bispo. E relembro com alegria e gratidão os meus anos de ministério sacerdotal, antes na Itália, e, há 37 anos, aqui em Pernambuco, em Palmares, Pesqueira e hoje em Caruaru. Nesta Igreja Católica eu experimento que faço parte da melhor família do mundo: com todos os defeitos que tem (ela é humana e divina), a Igreja não para de anunciar o Evangelho, de solidarizar-se com a humanidade através das suas obras de caridade e de alimentar a esperança da vida eterna. E eu sou parte desta história: eu sou Igreja! Será que estou precisando mais para a minha felicidade?
Mas o amor de Deus não tem limites: tive que enfrentar recentemente uma cirurgia. E foi nesta circunstância que experimentei mais uma vez como sou amado! Não me faltou a solidariedade de ninguém: os padres e os seminaristas, os leigos e os religiosos, as autoridades e o povo mais simples... Quantas mensagens, correntes de oração e preocupação com a minha doença! Trataram-me como um rei: desde a Unimed de Caruaru ao Hospital Santa Joana de Recife. Não deu outra: com tantas orações fiquei logo bom para voltar à minha querida Caruaru em tempo para ouvir o barulho dos fogos de São João e as orquestras de forró... Sou rico mesmo: e agradeço a todos que me proporcionam esta alegria e caminham comigo para construir o Reino de Deus.
E poderia continuar a elencar outros sinais da minha riqueza: vivo no Brasil, País maravilhoso e hospitaleiro; não tenho dívidas que não me deixam dormir (mas também não tenho fundos especiais para as construções que muitas vezes ocupam o meu tempo!); tenho casa para morar (um Palácio!), aliás, como Jesus prometeu, tenho mil casas porque em qualquer lugar do mundo aonde eu chegar sempre encontro alguém que me acolhe: um bispo ou um padre, uma casa religiosa, um amigo, uma Fazenda da Esperança, um Focolare, uma Nova Comunidade. E, além do mais, tenho saúde para trabalhar, servir, viajar onde a missão exige a minha presença.
Pode haver riquezas maiores do que a minha?
Por que, então, a revista ‘‘Fortune'' não me coloca na lista dos mais ricos do planeta?
E você, como se considera? Rico ou pobre? Há pessoas tão pobres, mas tão pobres, que a única riqueza que possuem é... DINHEIRO! Sim, o dinheiro é necessário, mas se você não aprende a partilhar continuará a ser a mais infeliz das criaturas!
Dom Bernadino Marchió
Bispo Diocesano de Caruaru-PE
FONTE: JORNAL VANGUARDA (CARUARU-PE)

Nenhum comentário:
Postar um comentário