19 de agosto de 2012

ARTIGO DO BISPO "Vida e Família: desafios para todos"

De 12 a 18 de agosto está acontecendo em todo o Brasil a Semana Nacional da Família. Como este é um momento de partilha, reflexão e celebração entre grupos familiares e comunitários pelas paróquias de todo o país, a Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), organizou um texto a partir das Catequeses preparatórias ao 7º Encontro Mundial das Famílias, que aconteceu em Milão, Itália, para servir como mais um instrumento para trabalhar o tema da Semana Nacional da Família 2012: "A família: o trabalho e a festa." A família não gera apenas a vida física, mas se abre à promessa e à alegria. A família torna-se capaz de receber e compartilhar a história de cada um, as tradições familiares, a confiança na vida e a esperança no Senhor. A família torna-se capaz de gerar quando faz a partilha dos dons recebidos, quando conserva o ritmo da existência quotidiana entre trabalho e festa, entre afeto e caridade, e entre compromisso e gratuidade.
Na família se conserva e transmite a vida, no casal e aos filhos, com o seu ritmo, com as suas dores e alegrias, paz e sonho, ternura e responsabilidade. Ela é um lugar de descanso e de motivação, com chegadas e partidas, por isso o trabalho não pode tornar a casa deserta e triste, mas a família é convidada a aprender a viver e a conjugar os tempos do trabalho com aqueles da festa.
Muitas vezes, os membros da família confrontam-se com situações desafiantes, que dificultam viver o ideal cristão. Entretanto, os discípulos do Senhor são aqueles que, vivendo na realidade das situações, sabem dar sabor a todas as coisas, mesmo aquilo que, aparentemente, não se consegue mudar: são o sal da terra.
De modo particular, o domingo deve ser tempo de confiança, de liberdade, de encontro, de descanso e de partilha. O domingo é o momento do encontro entre o homem e a mulher. É acima de tudo o Dia do Senhor, o tempo da oração, da Palavra de Deus, da Eucaristia e da abertura à comunidade e à caridade. E deste modo, também os dias da semana receberão luz do domingo e da festa: haverá menos dispersão e mais encontro, menos pressa e mais diálogo, menos coisas e mais presença.
Destacando estes princípios que devem nortear a vida das nossas famílias, não podemos esquecer as problemáticas que a sociedade moderna está levantando ao redor da instituição familiar tão fundamental em todas as épocas da história. Existem muitas preocupações com a vida humana, por causa dos enormes problemas vividos hoje em dia, sobretudo em relação ao desrespeito aos nascituros e aos idosos, e ainda as incômodas deformações do conceito de família, com aplicações do termo a situações não apropriadas.
Tais temas constituem, de forma mais particular, um desafio para a classe política, envolvendo as próximas eleições. Ainda que tais assuntos, normalmente, sejam discutidos em estâncias superiores, envolvem também os municípios onde estão as bases eleitorais. Dizia Mário Covas, governador de São Paulo, que eleições acontecem é nos municípios onde estão os eleitores e os cabos eleitorais. Assim, ao eleger vereadores, prefeitos e vice-prefeitos, temos que conhecer suas opiniões e suas opções a respeito dos temas e os princípios éticos que defendem.
A comissão para a Vida e a Família, da CNBB, lançou há poucos dias, um interessante folheto que trata da questão. Entre outras indicações, é de se destacar o seguinte texto: A Igreja se preocupa com a forte tendência da cultura atual que não mais valoriza o dom de si para o bem do outro, antes, dá o privilégio ao bem estar individual, até mesmo com sacrifício de outros, como documenta a decisão do STF que privilegia o bem estar da mãe, sacrificando a vida do seu bebê portador de anencefalia.
Esta tendência transborda os limites jurídicos, torna-se mentalidade comum e está na origem da maioria dos conflitos familiares, das agressões, das violências, do descaso. Com relação aos deveres do Estado, a nota afirma: Por isso, ela (a família) merece ser protegida e não descaracterizada pelo Estado como acontece quando qualquer união com base afetiva é a ela equiparada. Isto não tem nada de homofóbico, mas tudo de lógico.
O texto da CNBB demonstra a importância de preservar a família em seu conceito original, quando afirma: A família é o primeiro lugar no qual a pessoa tem a possibilidade de crescer, realiza sua humanidade, encontra terreno para o seu pleno desenvolvimento. Quem ama a sua cidade, ama a família!
Dom Bernadino Marchió
Bispo Diocesano de Caruaru - PE
FONTE: JORNAL VANGUARDA (CARUARU-PE)

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